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A
Década de 90
Ele
liga pra ela e deixa gravada uma música, na secretária eletrônica :
"Bem que se quis, depois de tudo ainda ser feliz, mas já não há caminhos pra voltar. E o que é que a vida fez da minha vida? O que é que a gente não faz por amor? " Os
tempos mudaram, a eletrônica já faz parte das nossa vidas.O Computador
passa a ser parte do nosso dia a dia, quer seja no trabalho ou em casa.
Mudaram os conceitos, o gosto musical e grandes ídolos da MPB
quase pararam .Foi quando ocuparam seus lugares outros ritmos como o
pagode, a música sertaneja, o olodum, o aché, lambada etc...
Em
90 não existem mais os ideais políticos que nossos jovens tanto lutaram
nas décadas de 70 e 80, mas a música continua com mais
alegria, mais jocosas nos sambas e nos pagodinhos .
Esta
foi uma década de grandes reuniões caseiras e em barzinhos
ou batendo samba em mesa no fundo do quintal, com muita alegria .
Marilene
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O Voltar está logo após este interessante texto sobre os anos 90
Anos 90
Tivemos nos anos 90 a continuação e afirmação da música brega, retratando a decadência social e cultural do nosso povo, manipulada pela ditadura da imensa cadeia de rádios FM e AM pertencentes em sua quase totalidade a deputados e senadores em todo o país, pois evidentemente é muito mais fácil manipular e ganhar votos do povo ignorante; e a música tem contribuído para isso; prevalecem as duplas e conjuntos “breganejos” vendendo milhões de CD’s e DVD’s, iludindo culturalmente o povo e dando enormes lucros às gravadoras e donos das rádios e TV’s. Tentar melhorar o nível cultural do povo interessa a muito pouca gente; apenas algumas poucas TV’s e rádios como a Cultura em São Paulo e TVE no Rio, procuram manter um nível razoável de programação, mas com baixíssima audiência; apenas os lucros imediatos interessam e têm valor para as agências de publicidade e patrocinadores; a mídia impressa e televisiva preocupa-se muito mais em mostrar as “fofocas” dos artistas, explorando suas vidas amorosas e exibindo fotos sensuais das artistas. Prevalecem os programas de auditório explorando as desgraças e incentivando os sentimentos lúdicos de nosso povo. Nossas escolas em todos os níveis continuaram a crescer em quantidade e a decair em qualidade. Toda essa improbidade de nossas elites política, cultural, educacional e social tem um preço alto que está sendo pago por todos nós.Talento e criatividade continuaram a existir mas prevaleceram interesses comerciais da mídia e das gravadoras, direcionando todo esforço mercadológico para músicas de fácil consumo, de baixa qualidade artística, objetivando atingir a imensa massa ignorante e pouco exigente da população.Os poucos compositores e cantores de bom nível foram massacrados pela imensa maioria de medíocres, prestigiados pelas gravadoras e mídia.Assim como nos anos 70 e 80 surgiram no Brasil vários grupos de rock, formados por jovens originários da classe média, com objetivos muito mais comerciais que artísticos, nos anos 90 surgiram grupos de “pagode” e de “funk” formados por jovens de classes menos abastadas, sem meios de sobrevivência decente, com pouquíssima cultura musical e cujos objetivos eram sucesso artístico e comercial; alguns até o conseguiram, apesar de medíocres.Os autênticos artistas da MPB tiveram muito pouco espaço nos anos 90: Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia, Simone, Beth Carvalho, Alcione, Chico Buarque, Toquinho, Ivan Lins, Martinho da Vila, Djavan, Joanna, Paulinho da Viola e outros continuaram suas carreiras, porém com pouco espaço na mídia. Entre os novos valores, poucos puderam aparecer como Marisa Monte, Daniela Mercuri, Zélia Duncan.Prevaleceram nos anos 90, por terem mais espaço na mídia, as duplas “breganejas” e os conjuntos de “pagode e funk” de baixíssima qualidade artística com dois ou três “cantores” e duas ou mais “bailarinas” semi-nuas.Empobreceu e mediocrizou-se mais ainda a Música Popular Brasileira durante os Anos 90.
Dárcio Fragoso