O meu guri
(1981)
 
Composição: Chico Buarque
 
Interpretação: Beth Carvalho
 
 
Música lançada originalmente em 1981 no LP "Almanaque" de Chico Buarque.
 Beth Carvalho gravou ao vivo no Olímpia, em São Paulo, em 1991.
Chico Buarque com sua enorme sensibilidade mostra em versos drama vivido pela gente do morro, onde a mãe descreve as peripécias do filho para sobreviver.
 
Chico (Francisco Buarque de Hollanda) nascido no Rio de Janeiro em 19/06/1944, filho do historiador Sérgio Buarque de Hollanda, mudou-se aos dois anos com a família para São Paulo. Sua casa era frequentada pelos grandes intelectuais do país devido aos conhecimentos e relacionamentos do pai. Em 1952 a família mudou-se para a Itália onde o pai foi lecionar. Retornaram ao Brasil dois anos depois indo residir em São Paulo. Foi em São Paulo que Chico viveu sua adolescência e juventude. Estudou no Colégio Santa Cruz, de padres canadenses, um dos  melhores de São Paulo, que dava muita ênfase aos aspectos sociais e artísticos dos alunos, onde Chico pode desenvolver suas imensas potencialidades. Estava assim formada a trinca necessária ao sucesso: sensibilidade e talento de Chico, ótima herança cultural familiar e oportunidades estimuladas no Colégio Santa Cruz. É considerado um dos compositores mais produtivos e mais eruditos da MPB sendo autor de mais de 300 composições tanto só como com inúmeros parceiros: Edu Lobo, Djavan, Francis Hime, Tom Jobim, Roberto Menescal, Vinicius de Moraes, Toquinho e outros. Desde 1965 participou ativamente como compositor e  cantor em festivais, espetáculos teatrais e cinema.  A partir dos anos 90 sua produção musical diminuiu, passando a dedicar-se mais à literatura. Aos 22 anos, com apenas 30 composições foi o mais jovem artista a prestar depoimento no importante MIS Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, quando o então diretor do MIS, o musicólogo Ricardo Cravo Albin comparou a obra de Chico à de Noel Rosa. O jornalista Millor Fernandes considera Chico "a única unanimidade nacional".  Segundo o crítico musical Tárik de Souza, "Chico é o elo perdido entre a música brasileira tradicional e a moderna MPB".  José Ramos Tinhorão, um dos maiores estudiosos de música popular brasileira, afirma que "ele é o maior compositor saído da classe média após o advento da bossa nova".  Foi casado durante mais de trinta anos com a atriz Marieta Severo e tiveram três filhas. A partir dos anos 90 Chico tem se dedicado mais à literatura, com várias obras de sucesso.
 
 
Elizabeth Santos Leal de Carvalho (Beth Carvalho) nasceu em 5/5/1946 no Rio de Janeiro, RJ. Começou como cantora de bossa nova em 1961 em shows de escolas e festivais universitários de música. Em 1965 gravou seu primeiro disco, compacto simples com "Por que morrer de amor ?" de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli. Pelo seu grande talento passou a fazer parte de shows com Tibério Gaspar e Egberto Gismonti. Nesse mesmo ano com Nelson Cavaquinho, Zé Keti e o Grupo 5 Crioulos participou do espetáculo "A hora e vez do samba": começou aí seu grande amor pelo samba. Gravou o LP "Muito na onda" com Antonio Adolfo, Chico Batera, Hélio Delmiro e Luis Eduardo Conde. Em 1969 com os Golden Boys cantou "Andança" de Paulinho Tapajós, Edmundo Souto e Danilo Caymmi no III Festival Internacional da Canção da TV Globo, classificando-se em terceiro lugar e grande sucesso. Beth tem sido ao longo dos últimos 40 anos a mais fiel cantora e defensora intransigente do samba de raiz. Fez parte do que os críticos chamaram de "ABC do Samba" formado pelas cantoras Alcione, Beth e Clara Nunes. Gravou 42 LPs, CDs e DVDs. Seus maiores sucessos foram : "1.800 colinas" de Gracia do Salgueiro, "Saco de feijão" de Francisco Santana, "O mundo é um moinho" de Cartola, "As rosas não falam" de Cartola, "Olho por olho" de Zé do Maranhão e Daniel Santos, "Folhas secas" de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, "Goiabada cascão" de Wilson Moreira e Nei Lopes, "Coisinha do pai" de Jorge Aragão, Almir Guineto e Luis Carlos e muitos outros.
Beth Carvalho é considerada a mais autêntica, a melhor e mais querida cantora de samba do Brasil.
 
Dárcio Fragoso
 

 
O meu guri
 (1981)
 
Composição: Chico Buarque
 
Interpretação: Beth Carvalho
 
 
 
 
Quando, seu moço, nasceu meu rebento
Não era o momento dele rebentar
Já foi nascendo com cara de fome
E eu não tinha nem nome pra lhe dar
Como fui levando não sei lhe explicar
Fui assim levando ele a me levar
E na sua meninice ele um dia me disse
Que chegava lá, olha aí, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri, e ele chega
 
Chega suado e veloz do batente
Traz sempre um presente pra me encabular
Tanta corrente de ouro, seu moço,
Que haja pescoço pra enfiar
Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro
Chave, caderneta, terço e patuá
Um lenço e uma penca de documentos
Pra finalmente eu me identificar, olha aí
Olha aí...ai o meu guri olha aí
Olha aí, é o meu guri,  e ele chega
 
Chega no morro com carregamento
Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador,
Rezo até ele chegar cá no alto
Essa onda de assaltos tá um horror !
Eu consolo ele, ele me consola
Boto ele no colo pra ele me ninar
De repente acordo, olho pro lado
E o danado já foi trabalhar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri, e ele chega
 
Chega estampado, manchete, retrato
Com venda nos olhos, legenda e as iniciais
Eu não entendo essa gente, seu moço
Fazendo alvoroço demais
O guri no mato, acho que tá rindo
Acho que tá lindo de papo pro ar
Desde o começo eu não disse, seu moço?
Ele disse que chegava lá,
Olha aí, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri.
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri.
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri.

 
 
 
 
Música: O meu guri
Autoria: Chico Buarque de Hollanda
Interpretação: Beth Carvalho
 
Pesquisas e História por Dárcio Fragoso
Plano de fundo Beth Carvalho e Chico Buarque por Marilene
Imagens adquiridas em E-Groups de Trocas
Projeto ,Formatação e Edição Final :
Marilene Laurelli Cypriano

 
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