(1976)
samba
canção
Letra e música: Cartola
Cartola (Angenor de
Oliveira) nascido em 11/10/1908 no Rio de Janeiro, no Catete; mudou-se
ainda criança com a família para o bairro das Laranjeiras onde iniciou seus
contatos com música através dos blocos União da Aliança e Arrepiados, passando a
fazer parte deste tocando cavaquinho.
Aos 11 anos por
dificuldades financeiras, mudou-se para o morro da Mangueira, onde conheceu seu
grande amigo e parceiro mais constante Carlos Cachaça; trabalhou entre outras
coisas como pedreiro e por usar um chapéu de abas estreitas para proteger sua
cabeça dos respingos das obras recebeu o apelido de "Cartola"; seu nome de
batismo verdadeiro era Agenor, mas por erro de grafia foi registrado como
Angenor;
fundou em 1925 com o
amigo e parceiro Carlos Cachaça (Carlos Moreira de Castro), o Bloco dos
Arengueiros, que 3 anos depois em 28/04/1928 juntamente com outros sambistas
daria orígem à segunda Escola de samba do Rio de Janeiro: "Estação Primeira de
Mangueira" a mais famosa e mais querida escola de samba do Brasil; a primeira
escola havia sido "Deixa Falar" fundada por Ismael Silva e Bide.
Desde essa época já
compunha sambas; em 1929 procurado pelo cantor Mario Reis, então muito famoso,
por meio de um estafeta, como relata o pesquisador Luis Antonio Giron, Cartola
vendeu os "direitos de venda" do samba "Que infeliz sorte", que acabou sendo
gravado em novembro do mesmo ano por Francisco Alves e não por Mario Reis; foi
esse seu primeiro samba gravado; seu conhecimento com Francisco Alves deu-lhe
muito prestígio. Era comum naqueles tempos, os famosos e ricos cantores
"comprarem" músicas ou parcerias, pois os compositores de samba apesar de
talentosos eram geralmente muito pobres; Cartola no entanto nunca vendeu suas
músicas, apenas vendia os direitos sobre as vendas, mantendo assim sempre seu
nome como compositor da obra.
Em 1936 Aracy de
Almeida gravou o samba "Não quero mais" de Cartola com Zé da Zilda e Carlos
Cachaça; a primeira parceria de Cartola com o amigo Carlos Cachaça, "Pudesse meu
ideal" venceu concurso promovido pelo jornal "O Mundo Esportivo"; Cartola foi
amigo de Noel Rosa que várias vezes se hospedou na casa de Cartola no morro da
Mangueira; o maestro Villa Lobos também se tornou amigo de Cartola por admirar
suas músicas.
Devido ao sucesso
alcançado, Cartola passou a cantar no rádio, chegando inclusive a apresentar com
Paulo da Portela o programa "A Voz do Morro" na Rádio Cruzeiro do Sul do Rio de
Janeiro, que lançava sambas inéditos e os ouvintes sugeriam nomes aos mesmos,
concorrendo a prêmios. Em 1948 a Mangueira venceu o desfile das Escolas de Samba
com o samba de sua autoria e Carlos Cachaça, "Vale do São
Francisco".
Durante alguns anos
Cartola esteve afastado dos meios musicais, sobrevivendo com trabalhos muito
humildes; em 1956 o cronista Sérgio Porto (Stanislau Ponte Preta) encontrou
Cartola trabalhando como lavador de carros numa garagem e não se conformando ao
ver um talento tão grande desperdiçado, insistiu e ajudou Cartola a voltar para
a música; foi a partir daí que a vida de Cartola melhorou: casou-se com Dona
Zica e inaugurou com ajuda de amigos o bar Zicartola no centro do Rio de
Janeiro, que ficou muito famoso e passou a ser referência e encontro de
sambistas e pessoas interessadas em "samba de raíz".
Os maiores sucessos de
Cartola foram: " O sol nascerá" com Elton Medeiros, "Alvorada no morro" com
Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho, "Alegria", "Sim" com O. Martins e
Leny Andrade, "Tempos idos" com Carlos Cachaça, "Tive sim", "Minha", "Sei
chorar", "Sala de recepção", "Cordas de aço", " Disfarça e chora" com Dalmo
Castelo, "Não faz, amor" com Noel Rosa, "Sofreguidão" e sua obra prima "As rosas
não falam", além de muitos outros.
Cartola faleceu em
30/11/1980 no Rio de Janeiro. Foi um dos melhores compositores de
samba.
Dárcio Fragoso
As rosas não falam
(1976)
Samba-Canção
Música e letra:
Cartola ( Angenor de Oliveira )
Bate outra
vez
Com esperanças o meu
coração
Pois já vai terminando
o verão
Enfim,
Volto ao
jardim
Com a certeza que devo
chorar
Pois bem sei que não
queres voltar
Para
mim
Queixo-me às
rosas,
Mas, que bobagem, as
rosas não falam
Simplesmente as rosas
exalam
O perfume que roubam de
ti, ai
Devias vir, para ver os
meus olhos tristonhos
E quem sabe sonhavas
meus sonhos
Por
fim.
Devias vir, para ver os
meus olhos tristonhos
E quem sabe sonhavas
meus sonhos
Por
fim
Música: As rosas não
falam
Autoria: Cartola
Interpretação: Beth
Carvalho
Pesquisas e História por Dárcio Fragoso
Plano de Fundo
por Francys Dejtiar
Projeto, Formatação e Edição Final : Marilene Laurelli
Cypriano
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e siga as
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