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Disparada
Moda de Viola (1966) Geraldo Vandré e
Theo de Barros
Uma das principais
composições da época dos festivais de música popular brasileira, foi
a vencedora do Festival da TV Record em 1966 , dividindo o primeiro lugar
com "A Banda" de Chico Buarque de Holanda, quando houve verdadeira
"disputa com apostas" em todo o país entre os adeptos de uma e outra
composição.
O autor da letra
Geraldo Vandré, nascido na Paraíba mas educado no Rio de Janeiro,
vivenciou todo o período do golpe militar de 1964 ainda muito
moço e ligado aos meios estudantis do Rio de Janeiro; era época de
nacionalismo exacerbado quando os jovens com um pouco de cultura
e sensibilidade não se conformavam com as injustiças sociais
imperantes no Brasil; os meios musicais e literários, lideranças
intelectuais do país, não estavam imunes aos movimentos sociais visando
melhorias para as camadas mais pobres da
população.
Geraldo
Vandré participante dos movimentos estudantis também deu sua
contribuição com composições muito significativas como
"Disparada" e "Pra não dizer que não falei das flores", consideradas duas
obras primas entre as músicas de cunho
social.
Em
"Disparada", Vandré faz uma maravilhosa comparação entre
a exploração das classes sociais pobres pelas mais ricas e
a exploração das boiadas pelos boiadeiros, entre a maneira de se
lidar com gado e se lidar com gente. A música composta por Theo de
Barros complementou de forma perfeita os versos de Vandré e a
interpretação de Jair Rodrigues deu forma final muito bonita aos
versos e à música. Logo após os anos de ouro dos festivais Geraldo
Vandré isolou-se dos amigos passando a viver espartana e isoladamente;
Theo de Barros continuou sua brilhante carreira de músico e arranjador,
tendo se dedicado principalmente a jingles
comerciais. Dárcio Fragoso |
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Disparada(1966) Moda de Viola
Letra de Geraldo Vandré
Música de
Theo de Barros
Prepare o seu
coração pras coisas que eu vou contar
Eu venho lá
do sertão, eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão e posso não lhe
agradar
Aprendi a dizer
não, ver a morte sem chorar
E a
morte o destino tudo, a morte o destino tudo
Estava fora de
lugar, eu vivo pra consertar
Na boiada já fui
boi, mas um dia me montei
Não por um motivo
meu ou de quem comigo houvesse
Que qualquer querer
tivesse, porém por necessidade
Do dono de uma
boiada cujo vaqueiro morreu
Boiadeiro muito
tempo, laço firme, braço forte
Muito
gado, muita gente pela vida segurei
Seguia como num
sonho e boiadeiro era um rei
Mas o mundo foi
rodando nas patas do meu cavalo
E nos sonhos que
fui sonhando, as visões se clareando
As visões se
clareando, até que um dia acordei
Então não pude
seguir, valente, lugar tenente
E o dono de gado e
gente, porque gado a gente marca
Tange, ferra,
engorda e mata
Mas com gente é
diferente
Se você não
concordar não posso me desculpar
Não canto pra
enganar, vou pegar minha viola
Vou deixar você de
lado, vou cantar noutro lugar
Na boiada já fui
boi, boiadeiro já fui rei
Não por mim nem por
ninguém
Que junto comigo
houvesse
Que quisesse ou que
pudesse, por qualquer coisa de seu
Por qualquer coisa
de seu, querer mais longe que eu
Mas o mundo foi
rodando, nas patas do meu cavalo
E já que um dia
montei, agora sou cavaleiro
Laço
firme, braço forte, de um reino que não tem
rei
Na boiada já fui
boi, boiadeiro já fui rei
Não por mim nem por
ninguém
Que junto comigo
houvesse
Que quisesse ou que
pudesse, por qualquer coisa de seu
Por qualquer coisa
de seu, querer mais longe que eu
Mas o mundo foi
rodando, nas patas do meu cavalo
E já que um dia
montei, agora sou cavaleiro
Laço firme, braço forte, de um reino que não tem
rei ! |
Música: DisparadaAutoria: Theo de Barros e Geraldo VandréInterpretação: Jair RodriguesHistória e Pesquisas por
Dárcio Fragoso
Formatação por Nina
Projeto Formatação e Edição Final por
Marilene
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