Estatutos da
gafieira
(1954)
Samba
Composição : Billy Blanco
Interpretação :
Jorge Veiga
Música lançada em 1954 pela
cantora Inezita Barroso, teve muito sucesso, pois o compositor Billy Blanco teve
competência e sensibilidade ao retratar com refinado humor o clima que imperava
nas gafieiras, onde as "autoridades" queriam manter o respeito e os bons
costumes da época entre os participantes. Jorge Veiga gravou a mesma música em
1957 também com muito sucesso, devido às suas características de cantor com voz
anasalada e excelente interpretação.
Billy Blanco é o nome
artístico de William Blanco de Abrunhosa Trindade, nascido em 8/5/1924 em Belém
PA. Mudou-se para São Paulo em 1946 para estudar arquitetura na Universidade
Mackenzie. Fazia as músicas do Mackenzie nas disputas entre sua escola e outras
de São Paulo. Terminou seu curso de arquitetura em 1950 na Universidade do
Brasil, no Rio de Janeiro. Suas principais composições são: "Teresa da praia" e
"Sinfonia do Rio de Janeiro" ambas com Tom Jobim, "Estatutos da gafieira"
sucesso na voz de Inezita Barroso e de Jorge Veiga, "Mocinho bonito" sucesso na
voz de Doris Monteiro, "A banca do distinto" gravada por Isaura Garcia, "Pistão
de gafieira" gravada por Sílvio Caldas e muitas outras.
O cantor e
compositor Jorge Veiga, nome artístico de Jorge de Oliveira Veiga, nasceu em
14/4/1910 no Rio de Janeiro RJ. Iniciou sua carreira artística em 1934 cantando
em circos. Passou depois a se apresentar na Rádio Educadora no programa
Metrópolis imitando Sílvio Caldas. Gravou seu primeiro disco em 1939. Por
sugestão dos músicos Rogério Guimarães e Heitor Catumbi mudou seu repertório e
estilo de cantar para sambas anedóticos e que refletiam a malandragem carioca.
Em 1945 fez grande sucesso com os sambas "O coração também esquece" de Príncipe
Pretinho e Raul Marques e "Cabo Laurindo" de Haroldo Lobo e Wilson Batista. No
carnaval de 1947 fez grande sucesso com "Eu quero é rosetar!" de Haroldo Lobo e
Milton de Oliveira. Em 1950 gravou com grande sucesso o samba "Cala a boca
Etelvina" de Antonio Almeida e Wilson Batista. A partir de 1951 na Rádio
Nacional do Rio de Janeiro, ficou famoso em seus programas por iniciar sempre
fazendo um alerta para todo o Brasil: "Alô. alô, senhores aviadores que cruzam
os céus do Brasil, aqui quem fala é Jorge Veiga, da Rádio Nacional do Rio de
Janeiro. Estações do interior, queiram dar seus prefixos para guia de nossas
aeronaves". Nos nossos dias isso não teria sentido mas nos anos 50 ajudou
bastante nossa aviação. Segundo o musicólogo Ricardo Cravo Albin, "Jorge Veiga
chegou a ser mais famoso que Cyro Monteiro e Moreira da Silva. Não que fosse
melhor que esses dois ícones do telecoteco, mas o que enternecia em Jorge Veiga
era um misto de ingenuidade, bossa de malandro e ainda um certo ar de sujeito
bronco, dentro de um corpanzil enorme. Ele foi e será sempre a voz ondulante da
malandragem, da ginga e do melhor espírito carioca. Jorge Veiga é um dos poucos
sambistas que rebolam não com o corpo, mas com a voz.". Seus maiores sucessos
como cantor foram "Estatutos da gafieira" de Billy Blanco, "Café soçaite" de
Miguel Gustavo, "Cabo Laurindo" de Haroldo Lobo e Wilson Batista, "Eu quero é
rosetar!" de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira, "Cala a boca Etelvina" de
Antonio Almeida e Wilson Batista e muito outros. Com sua voz anasalada foi um
dos grandes cantores da época de ouro do samba. Foi também compositor. Faleceu
em 29/6/1979.
Dárcio Fragoso
Estatutos da gafieira
(1954)
Samba
Composição : Billy Blanco
Interpretação :
Jorge Veiga
Moço, olhe o
vexame
O ambiente exige respeito
Pelos estatutos da nossa
gafieira
Dance a noite inteira, mas dance direito
Tá bem, moço?
Olhe o
vexame
O ambiente exige respeito
Pelos estatutos da nossa
gafieira
Dance a noite inteira, mas dance direito
Aliás, pelo artigo
120
O distinto que fizer o seguinte:
Subir nas paredes
Dançar de pé pro
ar
Morar na bebida sem querer pagar
Oi, abusar da umbigada de maneira
folgazã
Prejudicando hoje o bom crioulo de amanhã
Será distintamente
censurado
Quem balançar o corpo vai para a mão do delegado
Tá bem,
moço?
Aliás, pelo artigo
120
O distinto que fizer o seguinte:
Subir nas paredes
Dançar de pé pro
ar
Morar na bebida sem querer pagar
Oi, abusar da umbigada de maneira
fogazã
Prejudicando hoje o bom crioulo de amanhã
Será distintamente
censurado
Quem balançar o corpo vai para a mão do delegado
Tá bem,
moço?
Olhe o vexame
O
ambiente exige respeito
Pelos estatutos da nossa gafieira
Dance a noite
inteira mas dance direito
Tá bem, moço?
Olhe o vexame
O ambiente exige
respeito
Pelos estatutos da nossa gafieira
Dance a noite inteira mas dance
direito
Olhe aí...
Música: Estatutos da Gafieira
Autoria: Billy
Blanco
Interpretação: Jorge
Veiga
Pesquisas
e História por Dárcio Fragoso
Colaboração
:Otalicio ( Ica)
Imagens
adquiridas em E-Groups de Trocas
Projeto ,Formatação e Edição Final :
Marilene
Laurelli Cypriano
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