Café
Soçaite
(1955)
Samba
Composição:
Miguel Gustavo
Interpretação: Jorge Veiga com participação de Cyro
Monteiro
Música gravada em 1955 por Jorge Veiga, tornou-se grande
sucesso nacional por ironizar com fino humor o colunismo social carioca dos anos
50. Miguel Gustavo Werneck de Sousa Martins nasceu em 24/3/1922 no Rio de
Janeiro RJ e destacou-se como jornalista e compositor de jingles além de sambas
e marchas. Seu jingle mais famoso foi "Pra frente Brasil" : "Noventa milhões em
ação, pra frente Brasil, do meu coração..." que se tornaria símbolo da seleção
brasileira de futebol a partir da Copa do Mundo de 1970 quando o Brasil
tornou-se tricampeão. Suas composições mais famosas foram "Café soçaite", "E
daí" gravado por Elizeth Cardoso e o samba de breque "O rei do gatilho" gravado
por Moreira da Silva. Faleceu em 22/1/1972 no Rio de Janeiro.
O cantor e
compositor Jorge Veiga, nome artístico de Jorge de Oliveira Veiga, nasceu em
14/4/1910 no Rio de Janeiro RJ. Iniciou sua carreira artística em 1934 cantando
em circos. Passou depois a se apresentar na Rádio Educadora no programa
Metrópolis imitando Sílvio Caldas. Gravou seu primeiro disco em 1939. Por
sugestão dos músicos Rogério Guimarães e Heitor Catumbi mudou seu repertório e
estilo de cantar para sambas anedóticos e que refletiam a malandragem carioca.
Em 1945 fez grande sucesso com os sambas "O coração também esquece" de Príncipe
Pretinho e Raul Marques e "Cabo Laurindo" de Haroldo Lobo e Wilson Batista. No
carnaval de 1947 fez grande sucesso com "Eu quero é rosetar!" de Haroldo Lobo e
Milton de Oliveira. Em 1950 gravou com grande sucesso o samba "Cala a boca
Etelvina" de Antonio Almeida e Wilson Batista.
A partir de 1951 na Rádio
Nacional do Rio de Janeiro, ficou famoso em seus programas por iniciar sempre
fazendo um alerta para todo o Brasil: "Alô. alô, senhores aviadores que cruzam
os céus do Brasil, aqui quem fala é Jorge Veiga, da Rádio Nacional do Rio de
Janeiro. Estações do interior, queiram dar seus prefixos para guia de nossas
aeronaves". Nos nossos dias isso não teria sentido mas nos anos 50 ajudou
bastante nossa aviação. Segundo o musicólogo Ricardo Cravo Albin, "Jorge Veiga
chegou a ser mais famoso que Cyro Monteiro e Moreira da Silva. Não que fosse
melhor que esses dois ícones do telecoteco, mas o que enternecia em Jorge Veiga
era um misto de ingenuidade, bossa de malandro e ainda um certo ar de sujeito
bronco, dentro de um corpanzil enorme. Ele foi e será sempre a voz ondulante da
malandragem, da ginga e do melhor espírito carioca. Jorge Veiga é um dos poucos
sambistas que rebolam não com o corpo, mas com a voz.". Seus maiores sucessos
como cantor foram "Café soçaite" de Miguel Gustavo, "Cabo Laurindo" de Haroldo
Lobo e Wilson Batista, "Eu quero é rosetar!" de Haroldo Lobo e Milton de
Oliveira, "Cala a boca Etelvina" de Antonio Almeida e Wilson Batista e muito
outros. Com sua voz anasalada foi um dos grandes cantores da época de ouro do
samba. Foi também compositor. Faleceu em 29/6/1979.
Dárcio
Fragoso
Café Soçaite
(1955)
Samba
Composição: Miguel
Gustavo
Interpretação: Jorge Veiga com participação de Cyro
Monteiro
Doutor de
anedotas,
E de chapanhotas,
Estou acontecendo
no Café Soçaite,
Só digo
"enchanté", muito "merci", All rigth,
Troquei a luz do
dia pela luz da "Light",
Agora estou
somente contra a dama de preto,
Nos dez mais
elegantes, eu estou também,
Adoro
"riverside", só pesco em Cabo Frio,
Decididamente eu
sou "gente bem",
Enquanto a plebe
rude na cidade dorme,
Eu ando com
Jacinto, que é também de Thormes,
Terezas e
Dolores, falam bem de mim,
Eu sou até
citado na coluna do Ibraim,
E
quando alguém pergunta,
Como é que pode,
Papai de
"Black-tie", jantando com Didu,
Eu peço outro
Whisky,
Embora esteja
pronto,
Como é que pode ?
Depois eu conto !
Doutor de
anedotas,
E de chapanhotas,
Estou acontecendo
no Café Soçaite,
Só digo
"enchanté", muito "merci", All rigth,
Troquei a luz do
dia pela luz da "Light",
Agora estou
somente contra a dama de preto,
Nos dez mais
elegantes, eu estou também,
Adoro
"aniverside", só pesco em Cabo Frio,
Decididamente eu
sou "gente bem",
Enquanto a plebe
rude na cidade dorme,
Eu ando com
Jacinto, que é também de Thormes,
Terezas e
Dolores, falam bem de mim,
Eu sou até
citado na coluna do Ibraim,
E
quando alguém pergunta,
Como é que pode,
Papai de
"Black-tie", jantando com Didu,
Eu peço outro
Whisky,
Embora esteja
pronto,
Como é que pode ?
Depois eu conto !