Não tem
tradução
(1933)
Samba
Composição: Noel Rosa, Ismael
Silva e Francisco Alves
Interpretação: João
Nogueira
Música de 1933, gravada por Francisco Alves,
O Rei da Voz, na época o maior cantor do Brasil. Muitos críticos afirmam
que Francisco Alves não compunha, mas exigia que seu nome
aparecesse
como um dos compositores, caso contrário não gravaria. Francisco Alves também
era conhecido por "comprar" músicas dos compositores, quase todos muito
pobres.
Nesta composição Noel Rosa com toda sua fina ironia critica
a influência que o cinema americano, então nos primórdios da mudança do cinema
mudo para o falado, exercia sobre a cultura brasileira.
O Brasil já recebia
influência européia e com o advento do cinema americano, Noel sentiu a força da
cultura americana começando a se impor à cultura brasileira e aos nossos
costumes.
Noel foi um dos pioneiros na defesa da cultura brasileira e
utilizou muito bem suas composições para chamar a atenção das elites dominantes.
Noel soube como nenhum outro artista captar, registrar e criticar a
sociedade brasileira, especialmente a carioca, do início do século passado,
através de suas composições.
Noel de Medeiros Rosa nasceu em 11/12/1910, em
Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Sua mãe teve um parto difícil pois Noel
teve que ser tirado a forceps, o que causou fratura em seu maxilar, fato que o
prejudicou por toda vida, apesar de ter feito algumas cirurgias mas sem muito
sucesso. Noel foi alfabetizado pela mãe, Marta de Azevedo, que era professora.
Aos 13 anos começou a tocar bandolim de ouvido e violão que aprendeu com o pai
Manuel Medeiros Rosa. Apaixonado por música, conheceu o grande compositor Sinhô
de quem se tornou admirador, fato que muito o influenciou a gostar de música.
Noel compunha tanto letras como músicas, sendo muito versátil e tendo enorme
sensibilidade e competência para captar e colocar em versos suas críticas
à sociedade carioca da época. Os maiores sucessos de Noel foram: "Feitio
de Oração", "Feitiço da Vila", "Pra que mentir", "Só pode ser você", "Quantos
beijos", "Cem mil Réis", "Conversa de Botequim" estas com o músico
paulista Vadico, "Pastorinhas" com Braguinha, "Último desejo", "Até amanhã",
"Com que roupa ?", "De babado", "Fita amarela", "Gago apaixonado", "Palpite
infeliz" e muitas outras. Noel conseguiu com fina ironia e muita sensibilidade
retratar em versos e músicas as principais características populares do Rio de
Janeiro do início do século passado. Noel deixou cerca de 250
músicas e faleceu em 4/5/1936 com apenas 26 anos.
O compositor
Ismael Silva nasceu em Niteroi em 14/9/1905. Foi Ismael quem estruturou o samba
urbano, tal qual é conhecido até hoje. Foi um dos fundadores da 1ª Escola de
Samba do Rio de Janeiro, a Deixa Falar, no final dos anos 20. Segundo Vinicius
de Moraes, Ismael foi um dos três maiores sambistas de todos os tempos. Chico
Buarque de Holanda afirmou ter sido Ismael seu pai musical, quem exerceu a maior
influência em toda sua obra. Seus maiores sucessos foram "Se você jurar",
"Para me livrar do mal" com Noel, "A razão se dá a quem tem" com Noel e F.
Alves, "Cara feia é fome", "Ironia", "Boa viagem" com Noel, "Me diga teu nome",
"Novo amor" e muitas outras. Chegou a fazer acordo com Francisco Alves, que
permitia ao cantor gravar suas músicas e constar também como autor, mediante
pagamento prévio. Noel, Cartola, Nelson Cavaquinho e muitos outros também
vendiam parcerias. Ismael faleceu em 14/3/1978 no Rio de
Janeiro.
João Nogueira, nome artístico de João Batista Nogueira
Júnior, cantor e compositor, nasceu em 12/11/1941 no Rio de Janeiro RJ.
Dedicou-se desde muito moço à música brasileira, especialmente ao samba. Iniciou
sua carreira profissional no Festival de Juiz de Fora. Seu primeiro disco foi um
compacto simples com as músicas "Alô Madureira" e "Mulher valente" ambas de sua
autoria. Fundou em 1979 o Clube do Samba, em sua própria casa e lançou o
disco de mesmo nome.
Autor de mais de cem composições, sendo as mais famosas:
"Além do espelho", "As forças da natureza", "Banho de manjericão", "Batendo à
porta", "Bares da cidade", "Coração de malandro", "E lá vou eu",
"Espelho", "Jornal cantado", "Vovô Sobral" estas todas com Paulo Cesar Pinheiro.
Fez também inúmeras composições solo. Segundo o musicólogo Ricardo Cravo Albin,
"João Nogueira não se esgotou no canto, porque também foi um extraordinário
compositor. Foi insubstituível porque era titular de estilo tão pessoal que dele
ousaria dizer: não teve pais nem deixou filhos. Ou seja original de verdade, na
arte do canto e do ser carioca".
Faleceu em 5/6/2000 no Rio de
Janeiro.
Dárcio
Fragoso
Não tem tradução
(1933)
Samba
Composição: Noel Rosa, Ismael Silva e Francisco
Alves
Interpretação: João
Nogueira
O cinema falado
É o grande culpado da transformação
Dessa gente
que sente que um barracão
Prende mais que o xadrez
Lá no morro,
Se eu
fizer uma falseta
A Risoleta desiste logo
Do francês e do
Inglês
A gíria que o nosso
morro criou
Bem cedo a cidade aceitou e usou
Mais tarde o malandro deixou
de sambar,
Dando pinote
E só querendo dançar um Fox-Trote
Essa gente hoje em dia
Que tem a mania da exibição
Não se lembra que o samba
Não tem tradução
no idioma francês
Tudo aquilo que o malandro pronuncia
Com voz macia é
brasileiro,
Já passou de português
Amor lá no morro
é amor pra chuchu
As rimas do samba não são
I love you
E esse negócio
de alô,
Alô boy e alô Johnny
Só pode ser conversa de telefone
Amor lá no morro
é amor pra chuchu
As rimas do samba não são
I love you
E esse negócio
de alô,
Alô boy e alô Johnny
Só pode ser conversa de telefone
Só pode ser conversa de telefone
Alô boy e alô Johnny
é
telefone
telefone
Música: Não tem
tradução
Autoria: Noel Rosa, Ismael Silva e Francisco
Alves
Interpretação: João Nogueira
Pesquisas e História
por Dárcio Fragoso
Colaboração
Paulo Mafra
Plano de fundo: João Nogueira por
Marilene
Imagens adquiridas em
E-Groups de Trocas
Projeto ,Formatação e Edição Final :
Marilene Laurelli
Cypriano
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