"Odeon"
 
 

 
Odeon

Choro

Composição : Ernesto Nazareth e Vinícius de Moraes

Interpretação : Nara Leão

Ernesto Júlio de Nazareth nasceu em 30/3/1863 no Rio de Janeiro.
Começou estudar piano com sua mãe, também pianista mas que faleceu quando ele tinha apenas 10 anos. Casou-se aos 23 anos com Teodora Amália de Meireles. Tiveram quatro filhos. Odeon, composta em 1910, em homenagem ao ao cinema de mesmo nome onde Nazareth tocou piano por muitos anos, recebeu várias gravações ainda sem letra. Nos anos 40, Hubaldo Maurício fez a primeira letra para o choro Odeon que foi gravado por Dircinha Costa em 1963. Em 1968 Nara Leão também quis gravar Odeon mas não gostando da letra pediu a Vinícius de Moraes que fizesse outra letra. Assim nasceu a letra gravada por Nara, com ênfase no choro e não no cinema como era a anterior.
O maestro Heitor Villa-Lobos considerava Nazareth "a verdadeira encarnação da alma brasileira" .
Segundo o musicólogo Mário de Andrade, "Nazareth era um virtuoso do piano. A síncopa nas suas mãos é como o jogo de bolas do pelotiqueiro. Faz dela o que quer. Ela se transfigura, move-se dentro do compasso, irriquieta e irregular, num saracoteio perpétuo. Ninguém melhor que ele para representar o espiritamento achacoalhado e jovial do carioca". Muitos críticos consideram Nazareth como o elo de ligação entre a música clássica e a música popular do Brasil. Autor de noventa tangos, quarenta valsas, vinte polcas e outros tantos choros. As de maior sucesso foram: "Apanhei-te cavaquinho", "Odeon", "Brejeiro", "Ameno Resedá", "Dengoso", "Travesso", "Fon Fon", "Tenebroso" e muitas outras. Os abalos emocionais sofridos por Nazareth, como a morte de sua mulher e logo em seguida de sua filha, fizeram com que ficasse mentalmente muito doente, tendo sido internado em 1933, morrendo em 4/2/1934.
O Cinema Odeon, na época, situava-se na esquina da rua Sete de Setembro
com a av. Rio Branco no Rio de Janeiro


Dárcio Fragoso



Odeon

Choro

Composição : Ernesto Nazareth e Vinícius de Moraes

Interpretação : Nara Leão



Ai, quem me dera
O meu chorinho
Tanto tempo abandonado
E a melancolia que eu sentia
Quando ouvia
Ele fazer tanto chorar
Ele me lembra
Tanto, tanto
Todo o encanto
De um passado
Que era lindo
Era triste, era bom
Igualzinho a um chorinho
Chamado Odeon

Terçando flauta e cavaquinho
Meu chorinho se desata
Tirando canção do violão
Nesse bordão
Que me dá vida
Que me mata
É só carinho
O meu chorinho
Quando pega e chega
Assim devagarzinho
Meia-luz, meia-voz, meio tom
Meu chorinho chamado Odeon

Ah, vem depressa
Chorinho querido, vem
Mostrar a graça
Que o choro sentido tem
Quanto tempo passou
Quanta coisa mudou
Já ninguém chora mais por ninguém

Ah, quem diria que um dia
Chorinho meu, você viria

Com a graça que o amor lhe deu
Pra dizer "não faz mal
Tanto faz, tanto fez
Eu voltei pra chorar com vocês"

Chora bastante meu chorinho
Teu chorinho de saudade
Diz ao bandolim pra não tocar
Tão lindo assim
Porque parece até maldade
Ai, meu chorinho
Eu só queria
Transformar em realidade
A poesia
Ai, que lindo, ai, que triste, ai, que bom
De um chorinho chamado Odeon

Chorinho antigo, chorinho amigo
Eu até hoje ainda percebo essa ilusão
Essa saudade que vai comigo
E até parece aquela prece
Que sai só do coração
Se eu pudesse recordar
E ser criança
Se eu pudesse renovar
Minha esperança
Se eu pudesse me lembrar
Como se dança
Esse chorinho
Que hoje em dia
Ninguém sabe mais

Chora bastante meu chorinho
Teu chorinho de saudade
Diz ao bandolim pra não tocar
Tão lindo assim
Porque parece até maldade
Ai, meu chorinho
Eu só queria
Transformar em realidade
A poesia
Ai, que lindo, ai, que triste, ai, que bom
De um chorinho chamado Odeon
 

 
 

Música: Odeon

Autoria: Ernesto Nazareth

Pesquisas e História por Dárcio Fragoso

Projeto,Edição e Formatação por Marilene Laurelli Cypriano

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